**Um filme que tinha potencial, mas que cai da borda abaixo sem o concretizar.**
Neste filme, acompanhamos um homem que, após ser autorizado a sair da prisão onde se encontrava para assistir ao funeral do próprio pai, foge às autoridades e hospeda-se num luxuoso hotel de Manhattan para fazer um escândalo e ficar pendurado durante horas na borda do edifício, ameaçando suicidar-se a qualquer instante e obrigando as autoridades a conversar com ele. Até certo ponto, nós desconhecemos os motivos dele, mas ele parece convicto e consciente do que está a fazer. Só o andamento do filme é que nos vai permitir compreender a realidade: ele alega ter sido preso de forma injusta e está determinado a provar a sua inocência ou morrer na tentativa.
Este não é um filme original, já vimos outros com a mesma premissa e, em geral, é uma aposta inteligente dos produtores. Apesar de eu apreciar o esforço, e de o filme nos brindar com uma série de boas cenas de Manhattan, embelezadas por uma excelente fotografia e edição, o roteiro deita o filme da borda do prédio abaixo: a partir do meio, tudo foi levado ao extremo e exagerado para efeitos dramáticos: para provar que não roubou, o homem decide pedir ao irmão dele que roube o artigo supostamente roubado e destruído por ele, anos antes; o irmão leva a namorada para o assalto como se fossem a um encontro, e se presumirmos que eles não são ladrões profissionais, é impensável que semelhante plano vá funcionar. A partir daí, tudo se torna ridículo. O filme continua a ser um pedaço de entretenimento passável, mas é aquele tipo de cinema em que vemos coisas que só podem acontecer em filmes.
Sam Worthington é um bom actor e oferece-nos um protagonista agradável, envolvente e carismático que não tem dificuldade em manter-nos interessados no que está a fazer. Ed Harris também fez um bom trabalho, embora tenha bastante pouco para fazer tendo em conta que quase não aparece. Jamie Bell faz uma interpretação muito mediana, a pender para o insuficiente, e Elizabeth Banks não conseguiu pôr-se na pele da sua personagem e convencer-me com o seu trabalho, ainda que eventualmente tenha tentado. Mas quem me decepcionou verdadeiramente foi a estreante novata Genesis Rodriguez. Primeiro, ela fez uma personagem que podia – e talvez devesse – ter sido cortada do roteiro; segundo, ela foi escolhida para o papel simplesmente para que a pudéssemos ver numa ‘lingerie’ rubra, bastante ‘sexy’. Será que a Victoria’s Secret patrocinou isto??