Nunca tinha ouvido falar de The Birdcage até me deparar consigo na Prime Video. Como sou fã de comédias que envolvam farsas, a sua premissa chamou-me à atenção: um casal gay que, perante a visita dos sogros ultra-conservadores do filho, tenta fingir ser heterossexual a pedido do jovem. Como referi, este tipo de comédias sobre farsas são um guilty pleasure. Gosto daquele caos onde tudo parece prestes a ruir, mas mantido de pé por improvisos e mentiras cada vez mais absurdas.
O problema de The Birdcage é que a tal farsa demora demasiado a acontecer. O argumento arrasta-se, o ritmo é lento e custou-me a sentir-me verdadeiramente envolvido. Quando finalmente chegamos ao momento em que os protagonistas tentam enganar os sogros do filho, já estamos na reta final e tudo parece apressado, com um desfecho igualmente rápido e sem impacto. Talvez o problema tenha sido meu, mas esperava algo com mais energia, mais carisma, que me arrancasse algumas gargalhadas.
No entanto, quem realmente brilha no meio deste filme é Robin Williams. Senti pena da sua personagem por ter de aturar um marido excêntrico e exaustivamente irritante, assim como ter de lidar com um filho egoísta, que acha legítimo pedir ao pai que apague toda a sua identidade para não “envergonhar” os sogros. No meio disto tudo, senti pena pela personagem de Robin Williams, pois há ali um esforço constante de amor, e de sacrifício, que acaba por tocar quem o vê. E claro, foi também comovente rever Robin Williams, um ator que marcou tantas gerações e, cuja ausência continua a fazer-se sentir no cinema. O mesmo senti ao ver Gene Hackman que, infelizmente, também nos deixou recentemente, e tal como Robin Williams a sua presença traz sempre uma certa nostalgia.
The Birdcage não foi o meu tipo de comédia, mas talvez agrade a outras pessoas. Não me agarrou, mas valeu pela oportunidade de rever grandes rostos do cinema e por representar uma aposta rara e corajosa por parte de um grande estúdio, numa altura em que abordar temas LGBT+ em Hollywood ainda era visto como um risco. Só por isso já merece respeito e reconhecimento por essa coragem.