**Uma história decepcionante num filme capaz de revirar as tripas de um marinheiro veterano.**
Não costumo datar as minhas resenhas, mas bastará verificar a data em que estou a escrever para ver que o tema deste filme – uma pandemia global – nunca pareceu tão actual como tem sido. Claro, a actual pandemia não é sequer semelhante ao que este filme mostra, e ainda bem! Este filme deveria ser uma continuação lógica da história contada nos dois primeiros filmes de *A Cabana do Medo*. No entanto, não é isso que acontece. Pessoalmente, não encontrei qualquer tipo de ligação entre a história contada neste filme e a história que foi contada nos dois filmes mencionados. É de lamentar, porque assim eu sinto que o uso do mesmo nome acaba sendo quase uma fraude, um acto de propaganda enganosa.
A história deste filme gira em torno de um pequeno grupo de jovens que está a celebrar o iminente casamento de um deles com uma viagem de barco pelas ilhas da República Dominicana. Rapidamente nos apercebemos das personalidades de cada um deles e de um romance mal resolvido entre dois deles que resulta num triângulo amoroso… mas nada disso é suficientemente explorado pelo roteiro. Quando tudo parecia bem, e todos encontram uma ilha deserta com praias vazias – o sonho de qualquer viajante naquelas paragens – acabam por ser infectados pelo vírus carnívoro que nós já conhecemos dos filmes anteriores, e que ninguém me soube explicar a mim como diabos foi parar às Caraíbas. Há ainda naquela ilha um misterioso laboratório onde um grupo de médicos e cientistas parece apostado na descoberta de uma vacina para o vírus usando um doente que adquiriu, misteriosamente, imunidade ao seu efeito.
Acho que a dada altura o director Kaare Andrews cometeu o erro de se levar a si mesmo (e ao seu filme) demasiado a sério. Ele pareceu-me um director novato, e de facto este foi o seu segundo filme em longa-metragem. Não sei se lhe poderia exigir muito mais, mas o facto é que o filme não funciona e a sensação de que se leva a si mesmo demasiado a sério é irritante. Como se já não bastasse não ter nenhuma ligação com os dois filmes anteriores! Pessoalmente, eu penso que o filme teria sido muito mais interessante e apelativo se tivesse sido concebido como uma comédia negra ou uma sátira aos filmes anteriores. Algo parecido, mas que não fosse tão sisudo e nos fizesse rir um pouco de vez em quando. Acredito que, mesmo assim, irá agradar aos fãs de gore, porque está virtualmente cheio de pessoas a vomitar litros de sangue e tripas, sem falar de uma cena de sexo oral que promete revirar as entranhas a muita gente.
O elenco é esquecível, como se imagina num filme destes, e as personagens foram concebidas para morrer, pelo que não podemos esperar muito delas. Sean Astin, o eterno Sam de *Senhor dos Anéis*, parece ter dado um tiro na própria carreira ao decidir participar num filme assim, mas o facto é que acaba sendo o único actor do filme a dar-nos o que poderíamos chamar de interpretação dramática. Currie Graham é um vilão previsível, Ryan Donowho e Brando Eaton fazem o que têm de fazer mas não escapam aos clichés das suas personagens e Jillian Murray e Lydia Hearst estão ali apenas porque têm peitos grandes para exibir para a câmara. E será que fui o único a sentir uma certa química sexual entre as personagens de Graham e Hearst?
Tecnicamente, é um filme de baixo orçamento que, mesmo assim, capricha nos efeitos que envolvem sangue e pedaços de corpos humanos, com alguns bons resultados que certamente irão virar as tripas de muita gente. A equipa de caracterização também merece um louvor pelo bom trabalho e pelo realismo dos ferimentos e da carne apodrecida. A cinematografia cumpre o seu papel, mas sem nada que me pareça digno de nota. Os cenários e figurinos são mais ou menos aquilo que poderíamos estar à espera.